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São Frei Galvão
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A beatificação de Frei Galvão
 
Veja como foi retratada a canonização de Frei Galvão pelos jornais e o discurso do Papa
 

 

Beatificação de Frei Galvão é aprovada

Vale Paraibano abril-1988

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O papa João Paulo 2ª aprovou ontem a beatificação do franciscano paulista Antônio de Sant'Anna Galvão (1739-1822). Frei Galvão, nascido em Guaratinguetá, é o primeiro brasileiro nato a ser declarado beato pelo Vaticano. A beatificação é a última etapa antes da possível canonização, quando a pessoa é reconhecida como santa. Frei Galvão pode se tornar, assim, o primeiro santo brasileiro.

Desde o anúncio da beatificação de Frei Galvão, há um mês, a procura pelas "pílulas milagrosas" do religioso triplicou no último mês. A diretora do Museu Frei Galvão, Thereza Regina de Camargo Maia, disse que não há mais pílulas no local. "Agora elas só são achadas no Mosteiro da Imaculada Conceição."

Thereza disse que as visitas ao museu dobraram. Segundo ela, cerca de 50 pessoas procuram o museu por dia, em média, à procura de informações sobre o frei e das pílulas.

Segundo Thereza, a cerimônia de beatificação do frei está marcada para outubro, mas a data ainda não foi definida. Ela disse que já está negociando com uma agência de turismo religioso para organizar uma excursão para Roma, onde a carta de beatificação será lida em praça pública.

A cerimônia também conta com três dias de Ação de Graças, que serão comemorados em Guará e em São Paulo. Em Guará a festa deverá acontecer no primeiro dia, na Catedral de Santo Antônio, onde frei Galvão foi batizado.

VENERAÇÃO - Thereza disse que será construído um Centro de Peregrinações no seminário Frei Galvão, próximo à via Dutra, no bairro do Campinho. No centro ficarão expostos objetos usados ou ligados ao frei.

"O seminário possui uma grande área verde que poderá ser usada para estacionamento, para a construção de uma igreja em homenagem ao frei e para lazer dos turistas."

BEATOS - Dois outros personagens do catolicismo brasileiro já foram beatificados: o padre jesuíta José de Anchieta (1534-1597), que nasceu nas Ilhas Canárias (território de Portugal), e madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus (1865-1942), nascida na Itália.

Madre Paulina veio ainda criança para o Brasil, em 1875. Fundou em 1890 a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. A madre foi beatificada em 1991. Seu processo de canonização está suspenso desde 1996. O padre Anchieta chegou ao Brasil em 1553, aos 19 anos.

MILAGRE - O milagre que levou à beatificação de Frei Galvão ocorreu há oito anos, quando a menina Daniela Cristina da Silva, então com quatro anos, foi dada como desenganada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Emílio Ribas, com hepatite aguda.

O pediatra que acompanhou seu caso, em depoimento ao tribunal eclesiástico, atestou não haver outra causa, a não ser "a divina", para justificar sua cura.

Ela ingeriu, durante o período crítico da moléstia, pílulas supostamente milagrosas, feitas com papelotes nos quais, segundo receita herdada do frade, é inscrita uma frase de devoção à Virgem Maria.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS PEREGRINOS VINDOS A ROMA
PARA A BEATIFICAÇÃO

26 de Outubro de 1998

Caríssimos Irmãos e Irmãs

1. Ontem celebrámos a solene beatificação de Zeferino Agostini, Antônio de Sant'Anna Galvão, Faustino Míguez e Teodora Guerin. Três sacerdotes e uma virgem, todos fundadores de comunidades de vida consagrada. É com suma alegria que hoje vos acolho, a vós que viestes de várias partes do mundo para participar neste evento festivo.

Saúdo cordialmente quantos vieram em peregrinação para a beatificação do Padre Zeferino Agostini, e dirijo um pensamento especial ao Bispo de Verona e aos outros Bispos aqui presentes. Desejo encorajar afectuosamente a Congregação das Ursulinas Filhas de Maria, que se alegram pela elevação do seu Fundador às honras dos altares.

Num ambiente repleto de dificuldades materiais e espirituais, na periferia da sua terra natal, Verona, o Padre Zeferino Agostini prodigalizou-se com todos os meios para favorecer o resgate humano e cristão das jovens gerações; promoveu iniciativas de carácter eclesial e social para ajudar os pobres e os menos afortunados, gerindo a escola da doutrina cristã com grande dedicação.

O seu zelo era sustentado pela oração assídua, especialmente diante do Santíssimo Sacramento. Do diálogo constante com Deus hauriu a energia para o seu intenso apostolado. Os seus ensinamentos e a sua vida inspirem quantos hoje o veneram como Beato.

2. É com viva satisfação que saúdo agora os numerosos peregrinos brasileiros que vieram a Roma para participar da solene beatificação do primeiro Beato nascido em solo brasileiro, Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, também conhecido como Frei Galvão. Guaratinguetá, sua cidade natal, deve sentir-se muito feliz porque um seu filho subiu à honra dos altares. No lar do Beato Frei Galvão, a imagem de Santa Ana reunia sua família todas as noites para as orações, e foi dali que brotou aquela atenção pelos mais pobres, que acorriam à sua casa e que, anos mais tarde, atrairia milhares de pessoas aflitas, doentes e escravos, em busca de conforto e de luz, a ponto de ele ser conhecido como «o homem da paz e da caridade».

Vamos pedir a Deus que, com o exemplo do Beato Frei Galvão, a fiel observância de sua congregação religiosa e sacerdotal sirva de estímulo para um novo florescimento de vocações sacerdotais e religiosas, tão urgente na Terra da Santa Cruz. E que esta fé, acompanhada das obras de caridade que transformava o Beato Frei Galvão em doçura de Deus, aumente nos filhos de Deus aquela paz e justiça que só germinam em uma sociedade fraterna e reconciliada.

3. É-me grato receber hoje os peregrinos que, acompanhados pelos seus Bispos vieram a Roma da Galiza, berço do novo Beato Faustino Míguez, e das demais terras da Espanha, América Latina e África, onde as Filhas da Divina Pastora levam a cabo o ideal educativo do seu fundador.

O Padre Faustino, simples e observador, encontrou imediatamente o Deus amigo de Quem necessitava para forjar o coração dos jovens e mitigar o sofrimento dos enfermos. Filho exemplar da Escola Pia, todo o seu afã apostólico e educativo foi impelido pela pedagogia do amor. A humildade era a sua virtude predilecta. Na sua longa vida rejeitou todos os géneros de distinção, pois só desejava «viver escondido, para morrer ignorado». Forte na adversidade e firme na obediência, esperou contra toda a esperança, sabendo que do mal Deus haure o bem. Queridos irmãos e irmãs, o extraordinário testemunho deste consagrado constitui um convite a todos e de maneira especial às Religiosas Calasanzianas, a amarem profundamente a obra educativa como um irrenunciável serviço eclesial ao Evangelho e um bem para a sociedade.

4. Dilectos Irmãos e Irmãs, dou calorosas boas-vindas aos peregrinos de língua inglesa, que aqui vieram para a beatificação da Madre Teodora Guerin. Em particular, torno extensiva uma singular saudação aos Bispos aqui presentes e às religiosas da Providência. A Madre Teodora exorta os homens e as mulheres de hoje a buscarem serenidade e conforto no coração de Jesus e a haurirem a força na oração. A sociedade contemporânea também precisa, em não menor medida, daquele género de dedicação, sabedoria e amor abnegado que irradia da sua vida e do seu trabalho. Encorajo-vos a honrá-la mediante a sua imitação. Através da intercessão da Beata Teodora Guerin, caminhai sempre na presença de Deus, buscai a sua vontade e suportai com coragem todas as provações que Ele permitir na vossa vida.

É com prazer que recebo os peregrinos de língua francesa, que vieram participar na cerimónia de beatificação da Madre Teodora Guerin. A Igreja que está na França e nos países francófonos se inspire na absoluta confiança que ela tinha na Providência, a fim de continuar a anunciar o Evangelho!

5. Saúdo-vos cordialmente, queridos peregrinos que quisestes vir a Roma por ocasião do décimo aniversário do «Motu Proprio» Ecclesia Dei,, para afirmar e renovar a vossa fé em Cristo, e a vossa fidelidade à Igreja. Caros amigos, a vossa presença junto do «Sucessor de Pedro, a quem compete em primeiro lugar vigiar pela unidade da Igreja» (Concílio Ecuménico Vaticano I, Constituição dogmática I Pastor aeternus), é particularmente significativa.

Para salvaguardar o tesouro que Jesus lhe confiou, orientada decididamente para o futuro, a Igreja tem o dever de reflectir de forma constante sobre o seu ligame com a Tradição, que nos advém do Senhor através dos Apóstolos, tal como ela foi constituída ao longo da história. Segundo o espírito de conversão da Carta Apostólica Tertio millennio adveniente (cf. nn. 14, 32, 34 e 50), exorto todos os católicos a promoverem gestos de unidade e a renovarem a sua adesão à Igreja, a fim de que a legítima diversidade e as diferentes sensibilidades, dignas de respeito, não os separe uns dos outros, mas levem-nos a anunciar a integridade do Evangelho; assim, estimulados pelo Espírito que faz concorrer todos os carismas para a unidade, cada um de nós pode glorificar o Senhor e a salvação será proclamada a todas as nações.

Formulo votos por que os membros da Igreja continuem a ser os herdeiros da fé recebida dos Apóstolos, digna e fielmente celebrada nos santos mistérios, com fervor e beleza, a fim de receber a graça de maneira crescente (cf. Concílio Ecuménico de Trento, sessão VII, 3 de Março de 1547, Decreto sobre os sacramentos) e de viver uma relação íntima e profunda com a Santíssima Trindade. Confirmando o bem fundamentado da reforma litúrgica almejada pelo Concílio Vaticano II e posta em prática pelo Papa Paulo VI, a Igreja oferece também um sinal de compreensão a todos os que se sentem «vinculados a algumas precedentes formas litúrgicas e disciplinares» («Motu Proprio» Ecclesia Dei, 5 c). É nesta perspectiva que se deve ler e aplicar o «Motu Proprio» Ecclesia Dei, faço votos por que tudo seja vivido no espírito do Concílio Vaticano II, em plena harmonia com a Tradição, em vista da unidade na caridade e da fidelidade à Verdade.

É sob a «acção do Espírito Santo, que mantém e faz crescer na unidade da fé toda a grei de Cristo» (Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium, 25), que o Sucessor de Pedro e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, ensinam o mistério cristão; de maneira muito particular, os Bispos reunidos em Concílios ecuménicos cum Petro et sub Petro confirmam e consolidam a doutrina da Igreja, herdeira fiel da Tradição já existente há cerca de vinte séculos como realidade viva que progride, dando um impulso novo ao conjunto da comunidade eclesial. Os últimos Concílios Ecuménicos - Trento, Vaticano I e Vaticano II - dedicaram-se de modo especial ao esclarecimento do mistério da fé e empreenderam reformas necessárias para o bem da Igreja, prestando atenção à continuidade da Tradição apostólica, já evidenciada por Santo Hipólito.

Portanto, compete em primeiro lugar aos Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, exercer com determinação e caridade a guia do rebanho, a fim de que a fé católica seja salvaguardada em toda a parte (cf. Paulo VI, Exortação Apostólica Quiunque iam anni; cf. também Código de Direito Canónico, cân. 386) e dignamente celebrada. Efectivamente, segundo as fórmulas de Santo Inácio de Antioquia, «lá onde está o bispo, ali está também a Igreja» (Carta aos Esmirnionitas, VIII, 2). Convido ainda fraternamente os Bispos a dedicarem uma renovada compreensão e atenção pastoral aos fiéis vinculados ao rito antigo e, no limiar do Terceiro Milénio, a ajudarem todos os católicos a viverem a celebração dos santos mistérios com uma devoção que constitua um verdadeiro alimento para a sua vida espiritual e uma fonte de paz.

Caros Irmãos e Irmãs, ao confiar-vos à intercessão da Virgem Maria, modelo perfeito da sequela Christi e Mãe da Igreja, concedo-vos a Bênção Apostólica, bem como a todos aqueles que vos são queridos.

Saúdo cordialmente todos os peregrinos de expressão alemã que vieram a Roma, junto dos túmulos dos Príncipes dos Apóstolos, por ocasião do décimo aniversário do «Motu Proprio» Ecclesia Dei,. Concedo de coração, a vós e a todos os vossos entes queridos, a minha Bênção Apostólica.

Depois, dou calorosas boas-vindas aos peregrinos de língua inglesa que vieram venerar os túmulos dos Apóstolos por ocasião do décimo aniversário do «Motu Proprio» Ecclesia Dei,. Sobre vós e as vossas famílias, invoco as abundantes Bênçãos de Deus Todo-Poderoso.

6. Caríssimos Irmãos e Irmãs! Ao regressardes às vossas terras, levai às vossas famílias e paróquias a saudação do Papa, juntamente com a Bênção Apostólica, que concedo do íntimo do coração a cada um de vós e aos vossos entes queridos.


 

 
     
 
     
 
 
 
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